terça-feira, 20 de outubro de 2015

Queimadas: Prefeitura falida e pouco dinheiro faz prefeito desistir de reeleição


As dificuldades para manter os serviços essenciais e pagar o 13º salário levou o prefeito de Queimadas, Tarcísio de Oliveira Pedreira (PR), a tomar uma decisão drástica no mês passado: desistiu de disputar a reeleição em 2016. Pedreira segue o mesmo caminho de outros gestores baianos, como a prefeita de Jequié, Tânia Brito (PP), e o prefeito de Ichu, Antônio George Carneiro (PSC), ambos num
esforço para equilibrar o orçamento e não cair na malha fina do Tribunal de Contas dos Munícipios (TCM).

Indagado sobre a eleição, o prefeito Tarcísio foi direto: “Queimadas recebia cerca de R$ 1,2 milhão de FPM e perdeu R$ 400 mil em setembro. Há três meses deixei de receber R$ 200 mil do governo do Estado para o Hospital Edson Silva. Estou há mais de um ano sem receber do governo federal mais de R$ 500 mil da verba para a assistência social. Nossa previsão é receber R$ 1,5 milhão a menos para educação (Fundeb). Como vou ter cabeça para pensar e, eleição?”, indagou ele.

Para completar, Queimadas tem 1.100 servidores concursados, portanto não podem ser demitidos, cuja folha está assim dividida: R$ 530 mil (administração direta), R$ 350 mil (saúde) e R$ 1,2 milhão (educação). O prefeito teme ter as contas rejeitadas pelo TCM porque as despesas com pessoal já correspondem a 64% da receita corrente líquida (RCL), quando o limite imposto na Lei de Responsabilidade Fiscal é de 54%.

Apontando o governo federal como responsável por grande parte da crise dos municípios, o prefeito critica o descaso com o dinheiro público. Ele citou o abandono das obras da creche que está construindo no município, com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). A creche foi orçada em R$ 1,8 milhão para atender a mais de 200 crianças de 0 a 6 ano, mas segundo Tarcísio de Oliveira, a construtora MVC, que venceu a licitação, abandonou a obra no início do ano. “A construtora alegou prejuízos e que não tem interesse. O governo licita, solta o dinheiro, a construtora não faz e fica sem solução”, queixa-se Oliveira.

Fonte: PCS

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